120 anos de Anísio Teixeira: um prelúdio para o futuro da educação

13 de julho de 2020

Posso pedir um tempinho teu para conversarmos um pouco? Sei que os tempos estão difíceis e realmente acredito que dialogar cura.

Há um processo de idas e vindas aos momentos tensos da história da humanidade. E, hoje, nos deparamos com uma época da exaustão humana nessa sociedade do espetáculo, e não sabemos precisamente em qual momento deixamos o ódio vencer a racionalidade e quantos encontraram vozes nos discursos rasos de quebra da subjetividade. Atônitos com os rumos do pensamento de um parcela do país, já prevista por Anísio Teixeira: “o conhecimento e a vida adquiriram complexidade tamanha que só uma autêntica disciplina poderá ajudá-lo a se servir da ciência, a compreender a vida em sua moderna complexidade e amplitude e dominá-la e submetê-la a uma ordem humana.” (TEIXEIRA, 1971, p.199)

Assim, faz-se necessária a compreensão do esgotamento social para começarmos a trabalhar uma agenda positiva. É preciso alento de sensibilidade e sopro de esperança em tempos apáticos, nos quais a disseminação cultural da ignorância, de injustiças e generalizações, insistem em ser confortáveis na formação de conceitos e preconceitos, em um campo limitado de visões.

Anísio Teixeira, apesar de não ter vivido no contexto da indústria cultural capitalista, soube apontar caminhos possíveis na construção da escola em contexto de universalização pública e gratuita, bem como sabedor do uso das mídias para estreitar o acesso à educação – coincidência, usarmos em contexto da pandemia, vivenciada mundialmente.

Ele vislumbrou múltiplas possiblidades principalmente no uso do rádio, meio de comunicação que Teixeira conheceu e, certamente, perceberia a importância das potencialidades da educação direcional e suas capacidades cognitivas com auxílio das novas multiplataformas. Além de interligada com novas pluralidades comunicacionais, a escola precisa ser fortalecida como ambiente de vivência simultâneo de interação social, como, por exemplo, a Escola Parque de Anísio Teixeira, como construção de caminhos dentro e fora dos espaços físicos.

Por fim, destaco o discurso de posse como diretor do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos, em 1952, quando Anísio Teixeira afirmou: “Não podemos fazer escolas sem professores e, muito menos, improvisá-los”. Nesse sentido, hoje, 12 de julho de 2020, é momento de parabenizar nossos professores caetiteenses por toda garra e brilho com que abraçam os ideais anisianos em seu cotidiano pedagógico. Professores que milagram-se e vibram com cada vitória de um aluno. Obrigado, professores, por, através de suas linguagens de mediação, ajudarem nossos munícipes a decodificarem a realidade, dar lucidez no filtro semiótico cultural para compreender o mundo. Obrigado por continuarem o legado do educador Anísio Teixeira, mesmo com inúmeros processos de ruptura e das inseguranças do hoje. Que a esperança faça alvorecer dentro de ti os sentidos da vida e os porquês de você ser professor (a).

Agora me dá aqui um abraço virtual! Você é luz e fortaleza do nosso futuro!

Mauri Oliveira | Jornalista e Radialista da Educadora 100, 7 FM e do portal Sudoeste Bahia, assessor de imprensa do CDS-Alto Sertão e coordenador da Pastoral da Comunicação Diocesana.

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