A mais íntima relação entre uma causa e um câncer

30 de outubro de 2017

O papilomavírus humano está presente em 99,7% dos casos de câncer de colo do útero, um dos tumores mais comum na mulher brasileira. Vacinação, disponível nas redes pública e privada, tem o potencial de evitar 70% destes casos.

Não é necessário ser um especialista para, ao se ouvir falar em câncer de pulmão, logo se pensar em tabagismo. Cerca de 8 entre 10 pacientes que desenvolvem a doença são ou foram tabagistas. Acontece que esta não é a principal associação entre uma etiologia (causa) com um tipo específico de câncer. Essa associação é mais íntima entre o papilomavírus humano (HPV) e o câncer de colo do útero. O vírus HPV é encontrado no DNA de 99,7% dos tumores malignos no colo do útero – conforme destaca o Pathology Outlines.

Ampliar a conscientização da sociedade sobre a importância de se aderir à vacinação de meninas de 9 a 26 anos contra o vírus HPV é uma das medidas mais eficazes para se evitar a doença. Disponível na rede pública desde 2014,  a vacina quadrivalente, que imuniza contra os HPVs dos tipos 16 e 18 (responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer do colo de útero) e dos tipos 6 e 11 (que provocam 90% das verrugas genitais), é indicada para as meninas que ainda não iniciaram a vida sexual e, portanto, não tiveram contato com o vírus.

Com mais de 16 mil novos casos esperados para 2016, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de colo do útero é o terceiro tipo mais comum da doença entre as brasileiras, atrás apenas dos tumores de mama e intestino. Portanto, a junção entre vacinação contra o vírus HPV, sexo seguro e realização periódica do exame preventivo, são medidas com potencial de evitar que a doença exista.

Desde janeiro deste ano, o Ministério da Saúde inclui no calendário nacional de vacinação a proteção de meninos.  Estudo publicado pelo A.C.Camargo Câncer Center mostra que um em cada três tumores de boca em adultos jovens tem associação direta com o HPV, chegando a 80% nos casos de câncer de amígdala. A imunização dos meninos ajuda também na proteção contra câncer de pênis e ânus. Estadão

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