Combate ao racismo é luta de todos

20 de novembro de 2017

O Dia Nacional da Consciência Negra existe para a reflexão. Em um momento histórico estranho no Brasil e no mundo, com ressentimento e ódio gratuito às minorias e comunidades marginalizadas, os negros ainda necessitam resistir ao preconceito e estão exaustivamente buscando reconhecimento de suas tradições e cultura, que, no entanto, são partes legítimas e irrefutáveis da formação do povo brasileiro.

Como entende o filósofo Antônio Filogenio de Paula, o Júnior, refletir sobre a consciência negra é essencial a qualquer cidadão brasileiro: aos afrodescendentes, que têm na data a lembrança da expressividade e legitimidade na cultura nacional, e às demais etnias que circulam pelo país, de modo que entendam que uma nação funciona a partir do entendimento e respeito entre diferentes raças e credos, num único caminho aceitável à democratização racial.

Diferentemente do que se rememora no dia 13 de maio (a libertação dos escravos), o 20 de novembro, como conta Júnior, foi o dia em que Zumbi dos Palmares foi assassinado e posteriormente esquartejado em 1665, quando capturado pelo bandeirante Domingos Jorge Velho. “Zumbi é uma figura histórica importante para a consciência de resistência não só de negros, mas índios, portugueses e índios que moravam em quilombos, à margem da Coroa Portuguesa. A retomada benéfica de seu nome aconteceu em 1978, porque antes Zumbi tinha uma imagem negativa, era como um vilão da ordem do Brasil, ainda uma colônia”, conta Júnior.

Para o filósofo, pesquisador e militante, falar em consciência negra é, enfim, a retomada da figura de Zumbi como um símbolo de resistência contra a opressão e o preconceito, a partir de uma história ressignificada. “Além de Zumbi, é legal pensar no que era o quilombo na época enquanto espaço, uma das poucas possibilidades de existir uma sociedade igualitária, democrática, apesar de este termo ainda não existir naquele período, mas no sentido de um lugar em que todas as raças podiam viver livremente”.

E além de conceitos históricos e novos olhares sob um passado por muito tempo analisado pela ótica do vencedor, Júnior acredita, sim, que exaltar na contemporaneidade a imagem de Zumbi é importante e um mote para fazer do mês de novembro um período de reflexão sobre o papel do negro na sociedade. “O negro deve ser tratado de igual para igual, pois assim como o branco ou o índio, também contribuiu para a construção deste país”, analisa o filósofo.

E a partir de uma comunidade negra consciente e ativa, Júnior enfim analisa o mês de novembro como uma grande exposição do que está acontecendo em prol da sociabilização do negro em todo o Brasil. “Isso não quer dizer que não existam preconceito e racismo, porém percebe-se que a inclusão acontece cada vez mais tranquila”. O filósofo acredita que o caminho da democracia igual para todos, indiferente da cor da pele, é a humanização de conceitos. “Quebram-se velhos conceitos para que outros novos nasçam para o bem de todos”.

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