Exaustão humana na sociedade do espetáculo

13 de julho de 2019

Mauri Oliveira, jornalista

Opinião

Uma explosão de necessidades urgentes grita. A contemporaneidade vive uma grande crise: a ansiedade da vida. Estamos ficando estranhos ao nosso próprio corpo, o ato de viver tornou-se um fardo. Depressão, automutilação, suicídio e uso de medicações psiquiátricas atinge gradativamente crianças e jovens. A sociedade que prometeu grandes habilidades amparada a muita oferta tecnológica, transformou-nos incompetentes a resolver nossas questões subjetivas.

A cultura vigente faz com que fiquemos omissos a enxergar além do que a multidão vê. Analisada pelo escritor francês pós-marxista Guy Debord (1931-1994) em sua obra, “A sociedade do espetáculo”, ele apresenta a gênese de seu pensamento com forte crítica a agremiação de consumo, a conversão em imagem e a invasão capitalista de organização social em todas as esferas. De modo que na luta de classes, a composição do espetáculo é a forma de dominação.

A análise de Debord é extremamente atual e resgata um necessário e inadiável diálogo, quanto nossa incapacidade em distinguir a imagem do real. Sob uma panorâmica histórica, há vinte anos, quando queríamos ter certeza de algo à gente tocava, e a virtualidade abriu para um mundo o qual, é real e concreto. Contudo, não temos objetivamente essa relação.

  Com isso, desfaz-se a própria estrutura psíquica humana, as relações e o papel das instituições, vive-se um caos de valores, polarizações e suas complexidades. Isso não é ruim, apenas abre-se a uma nova sociedade. Porém, essa transição é perigosa. Desfazer a ideia de verdade não é ruim, mas, quando você a desfaz, abre-se caminhos de perspectivas, para tal é necessário que aprendamos a pensar, ter autonomia intelectual para isso e adquirir uma inteligência mais complexa.

Imersos nesse cenário “teatral”, dispomos de diversas mídias e redes sociais como habitat, as quais, apresentam como fonte de “fantasias” disseminadas por indivíduos “robotizados” através de uma imposição de padrões. Ou seja, diante desses meios de comunicação de massa, ficamos inerte da extenuante realidade e acontecimentos da vida e passamos a viver expostos as aparências, ao consumismo, à uma vida idealizada em uma mescla de ficção e realidade.

Ter ciência da exaustão humana para começar a atuar nessa área é imprescindível. Assim, a própria humanidade já se delineia em processos civilizatórios de idas e vindas, desde o enfraquecimento da cultura, a difícil arte de seguir adiante e a contemporaneidade que se desintegra. É necessário o cultivo da teimosia otimista mesmo com o desgaste do saber, o rompimento do tecido social impulsionados por estruturas horizontais e a impossibilidade de encontrar uma perspectiva próxima da que buscamos em direção com uma possível agenda positiva.

Mauri Oliveira – Acadêmico em Jornalismo da UNIFG. Comunicador da Rádio

Educadora FM. Assessor de imprensa do CDS Alto Sertão. Coordenador diocesano da Pastoral da Comunicação da Diocese de Caetité. 

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