Jovem agredido por policial militar presta queixa na Corregedoria

5 de fevereiro de 2020

Acompanhado da mãe, da namorada e de outro adolescente, o jovem de 16 anos, que aparece em um vídeo sendo agredido por um policial militar, prestou queixa no final da tarde desta terça-feira, 4, na Corregedoria da PM.

Ainda abatida, a mãe do garoto, Karina Barros, conversou com a reportagem após prestar depoimento no órgão. “Estou fazendo isso para que os irmãos não tenham que passar por isso também”, contou ela, que é mãe de mais dois meninos.

O cabelo ‘black power’ que o adolescente ostenta com tanto orgulho e é uma das marcas de sua personalidade se tornou um fardo. A tia do garoto, que preferiu se identificar apenas como Verônica, conta que ele pensa até em cortar o cabelo depois do episódio, considerado por ela como racista.

“Houve um ato de racismo. Ele acha que todo marginal usa black. Ele tá arrasado. Com medo. Disse que queria tirar o black para não ser agredido novamente na rua”, relatou.

Em sua conta no Twitter, o governador Rui Costa (PT) se manifestou. “Como governador do Estado da Bahia não admito comportamento de violência policial como o ocorrido no vídeo que circula nas redes sociais. É inaceitável, inadmissível e não reflete o comportamento e os ideais da instituição”, disse Rui.

O advogado da família, Andrei Solter, contou que vai processar o estado. “Houve um ato de racismo e vamos entrar com ação de danos morais contra o estado”, contou, logo após formalizar a denúncia na Corregedoria.

O outro garoto e a namorada do jovem agredido, que presenciaram a ação, não conseguiram prestar depoimento porque não estavam acompanhados de um adulto responsável e devem ser ouvidos pela Corregedoria na próxima segunda, 10.

Tentou esconder

Karina relatou que o filho, receoso, ainda tentou esconder o ocorrido. “Ele não me contou no mesmo dia. Foi para o quarto e dormiu. Só fiquei sabendo no dia seguinte, quando ele pediu para a namorada me mostrar o vídeo. Eu nem consegui ver todo. Hoje que resolvi ligar para o advogado”, contou.

A mãe do jovem revelou que ele ainda sente muita dores na região da costela, cabeça e testículos. Além disso, ela contou que deve procurar ajuda psicológica. “Ele ainda está meio abatido. Sempre quieto, só pensando no que aconteceu. Eu espero que a justiça seja feita”, disse.

Laerte Sacramento, que tem 5 anos de corporação, foi ouvido na 9ª CIPM, onde ele é lotado. Em nota, a PM disse que “o vídeo foi encaminhado  para a Corregedoria Geral da PM para que seja instaurado um feito investigatório com o objetivo de apurar nas esferas administrativa e criminal. A PM não preconiza a violência e rechaça todo e qualquer tipo de conduta arbitrária e preconceituosa por parte de qualquer integrante da corporação”, diz a nota.

Nesta quarta, 5, às 9h, o adolescente e a família são esperados no comando-Geral da Polícia Militar, nos Aflitos, para conversar sobre o ocorrido na noite de domingo, com o comandante geral da PM, Anselmo Brandão.

Racismo e ofensas

O fato ocorreu na noite de domingo, 2, no bairro de Paripe. Mas só ganhou notoriedade depois que um vídeo, gravado por um morador, começou a circular pelas redes sociais.

Nas imagens, é possível ver o momento em que o garoto é agredido várias vezes pelo policial. Primeiro ele retira o boné do garoto e, em seguida, o PM desfere dois socos e um chute violento. É possível também escutar quando o militar o xinga de v****. “Você para mim é ladrão, você é vagabundo. Olha essa desgraça desse cabelo aqui. Tire aí vá, essa desgraça desse cabelo aqui.  Você é o quê? Você é trabalhador, viado? É?”, disse o PM.

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